É sempre fascinante perceber como a sexualidade muda tão pouco mesmo que tudo à volta dela mude tanto. Ao longo dos tempos, leis jurídicas, religiosas, políticas, e sociais têm tentado moldar a vida humana e os seus comportamentos, mas contribuindo apenas para moldar a superfície visível e criar status quo para que, aparentemente, tudo se passe de acordo com os costumes definidos. No entanto, por baixo desse véu que muda com os tempos, permanecem características intemporais e ocultas que, com mais ou menos evidência, se mantêm vivas e prontas a serem estimuladas. Há quem lhes chame de mecanismos subreptícios da consciência, mas também há quem lhe chame a ordem natural das coisas. Nesse sentido, é fascinante como um filme básico e até quase criminoso como este consegue ainda, nos dias de hoje, ter um efeito tão atraente para as pessoas. A meu ver o que transforma este lixo em luxo, é exatamente o luxo, o manto que tolda a percepção do que está a acontecer e desvia a atenção apenas para a forma e não para o conteúdo. É um filme de formas e fórmulas já muito batidas, ancestrais até, mas que continuam lá, subrepticiamente, a puxar cordelinhos na mente e a estimular uma sexualidade que não se coaduna com o atual staus quo. (Disponível na netflix)


Para que seja sempre um prazer.

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